Cenário Econômico - Abril 2026
Créditos: Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
Petróleo mais caro eleva inflação e pressiona economia global, aponta relatório da Fiesp
Conflito no Oriente Médio amplia instabilidade global, enquanto economia brasileira mostra forte recuperação no primeiro trimestre
A intensificação da guerra no Oriente Médio amplia a instabilidade global e pressiona os preços de energia em 2026, de acordo com o relatório mensal Cenário Econômico, produzido pelo Departamento de Economia (Depecon) da Fiesp.
O barril do petróleo tipo Brent, que estava em torno de US$ 68 antes da crise, chegou a níveis próximos de US$ 100, em meio às tensões envolvendo o Irã e aos riscos para as cadeias de abastecimento.
Esse cenário levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar a projeção de crescimento global de 3,3% para 3,1% neste ano. A desaceleração reflete, principalmente, o impacto da inflação sobre a renda das famílias e uma possível resposta de juros mais altos para combater a inflação persistente.
No Brasil, a alta do petróleo tem efeitos mistos. Ao mesmo tempo em que fortalece as contas externas e a arrecadação, também pressiona a inflação e reduz o espaço para cortes na taxa básica de juros, em um ambiente de condições financeiras mais restritivas.
Apesar do contexto global adverso, a atividade econômica dá sinais de recuperação no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025. A estimativa é de crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado pela agropecuária, pela indústria extrativa e pela construção civil.
A produção física industrial também voltou a crescer, com alta de 3% no primeiro bimestre, após queda de 2,3% no período entre setembro e dezembro de 2025.
Mercado de trabalho aquecido e crédito mais restritivo
O mercado de trabalho segue resiliente, com desemprego baixo e aumento real dos salários. Ainda assim, o consumo das famílias tende a avançar de forma mais contida, limitado pelo elevado endividamento e pelas condições de crédito mais restritivas.
As expectativas de inflação do Focus para 2026 subiram de 3,91% para 4,80%. Em resposta, a projeção para a taxa Selic foi revisada de 12,0% para aproximadamente 13,0% ao final do ano.
Para 2026, a economia brasileira deve crescer cerca de 1,9%, sustentada pelo desempenho da indústria extrativa e da construção civil, além de estímulos à demanda superiores a R$ 700 bilhões.
Apesar da recuperação, o cenário segue desafiador. A evolução do conflito geopolítico, a persistência da inflação, o nível elevado dos juros e o alto endividamento das famílias permanecem como riscos relevantes para o crescimento ao longo do ano.
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